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Um balanço imprenssionista

terça-feira, 7 de julho de 2009 ·

Sérgio Rodrigues

Escritor, publicou o romance histórico "Elza, a garota", além de "O homem que matou o escritor" e "As sementes de Flowerville", entre outros livros. Jornalista, trabalhou como repórter, colunista e editor na maioria das principais empresas de comunicação do país. Mineiro, vive há quase trinta anos no Rio.
sergio@todoprosa.com.br


A Flip 2009 – que para mim e muita gente foi uma das melhores da série, logo atrás da edição de 2004 – vai começando a desbotar em contato com a realidade, que aliás não existe, como proclamou por lá um autor que agora não recordo. E se a memória, como sabemos, tem uma vontade própria e meio insondável na hora de decidir o que será guardado e o que será posto fora, não custa fazer um exercício de futurologia para tentar antecipar algumas cenas e ditos públicos que têm tudo para ficar arquivados anos a fio, em meio aos muitos prazeres de que o fim de semana prolongado foi cheio. Por exemplo: alguém chamando o debate-lavanderia entre a artista francesa Sophie Calle e seu ex, Grégoire Bouillier, de “Márcia Goldsmith na Casa do Saber” – perfeito. Ou o historiador inglês Simon Schama, sessentão alucinado, se escangalhando de dançar, com direito a longas sessões de air guitar, na festa promovida pelo portal Saraiva na Casa de Cultura, sábado à noite. A mesma festa em que Alex Ross, crítico de música clássica da “New Yorker”, arriscou um rebolado ao som de Sidney Magal. Mas talvez o melhor de tudo seja a alcunha que meu amigo Paulo Werneck pespegou em Lobo Antunes após a melhor mesa do evento: “turrão de açúcar” – simplesmente genial. Sim, deve ter havido coisas bem mais doutas e relevantes, não se discute. Mas sabe como é a memória…

enviado por:
Sérgio Rodrigues
fonte: http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues

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